Ao dormir, ele cantou pra mim. É aquela voz que chama por mim e diz meu nome suavemente. Eu estou sonhando de novo? Acho que sim. Ele está aqui, dentro dos meus sonhos. Então eu canto nosso estranho dueto mais uma vez com você, e o seu poder sobre mim se torna cada vez mais forte; meu espírito e sua voz combinam como um só.

“Senti sua falta enquanto procurava por mim mesma lá fora.”
Me encontrei numa corrida contra o tempo para negociar o meu futuro. Está tudo tão perto e tão longe ao mesmo tempo. Distanciei de tudo, tentei até te apagar de mim, mas assim como a gente cobre uma estrela no céu com a mão, você ainda continuava lá. Tentei ignorar, te ignorar. Procurei sair desse mundo, conhecer coisas novas — eu tinha decidido te deixar pra trás. Fui conhecer o universo. Tracei meu caminho pela constelação, havia tempo para mudar. Meu plano era passear pela Via Láctea, a conhecida mancha de leite condensado pelo nada, entender a Lua, pegar carona em algum cometa. Tudo o que eu queria era colocar minhas idéias no lugar, negociar o meu futuro. Mas eu me senti sozinha, tudo o que eu queria era poder voltar. Não foi como eu havia planejado. Nada de vento sob os meus pés, nada de frango frito, nada de melhor amigo pra me proteger, nada de… Você. Eu não consegui navegar no Sol, a Via Láctea não era tão boa quanto parecia: era fria, sozinha, porém ainda continha sua beleza. Eu devo ter caído de algum cometa, mas sem cicatriz permanente que possa me lembrar disso; nem ao menos cheguei perto da Lua. Só de pensar em Lua, me lembrava de você. Senti sua falta enquanto procurava por mim mesma lá fora. Agora, eu decidi voltar, espero que o cometa que me leve de volta não demore muito, eu sinto sua falta.